Tex, o herói italiano do faroeste

* texto: Álvaro de Moya

Collana-del-Tex-nº-1 il-totem-misteriosoPer tutti i diavoli, che mi siano ancore alle costole? ("Por todos os demônios, ainda estão atrás de mim?"), foi a primeira frase de Tex Willer, na história inicial do personagem, no dia 30 de setembro de 1948. Vivia-se o ápice da admiração dos europeus pelos faroestes e Tex Willer era uma antevisão dos filmes spaguetti-westerns, na década de 60.

tex_willer-kirjasto-001 Cartaz-da-Mostra-A-Lenda-de-Tex

A idéia e o nome eram plagiados do americano Tex Ritter (ausente nas enciclopédias), publicado no Suplemento Juvenil, de Adolfo Aizen. A criação era de Giovanni Luigi Bonelli, veterano autor e editor de fumetti. Os desenhos, descaradamente copiados de Alex Raymond, podem ser considerados como uma homenagem do desenhista Galep (Aurelio Galleppini) ao criador de Flash Gordon e Jim das Selvas.toro-seduto-tex

"Um desenho medíocre pode afundar qualquer texto", afirmava o escritor, modestamente, dando crédito ao seu desenhista. Mas o grande sucesso da historieta se deve aos roteiros e à forte criação inicial, que o tornaram um mito.

 

Tradição de família O filho de Giovanni, Sergio Bonelli, nasceu em Milão, em 1932, e sempre viveu na atmosfera da Casa Editrice Audace, de sua mãe Tea. Ela e o marido se separaram, mas Giovanni continuou a escrever Tex. Sergio começou a colaborar com o pai nos roteiros, usando o pseudônimo de Guido Nolitta, em 1976. Quando o pai se aposentou, a mãe doou a editora para o filho, que a transformou em Sergio Bonelli Editore. Diversos roteiristas passaram a escrever para o carro-chefe da casa, mantendo o elevado padrão de qualidade da editora.

Alguns desenhistas de prestígio internacional também ilustraram Tex, como Guido Buzzelli, Jesus Blasco, Jordi Bernet, Victor de la Fuente, Alfonso Font, Jose Ortiz Moya, Magnus (Roberto Raviola) e, especialmente, o mestre americano Joe Kubert.

No Brasil, Tex foi publicado pela Editora Vecchi e, depois, pela  Rio Gráfica, nome anterior da Editora Globo. Posteriormente, em dezembro de 1998, a Globo abriu mão da série, que atualmente é publicada pela Editora Mythos. Tex é editado em muitos países, mas Sergio reconhece que, sucesso igual ao italiano, só na França, Croácia, Eslovênia, Finlândia e Brasil. Nos Estados Unidos, a Dark Horse começou a editar a história depois do álbum de Joe Kubert. Na Iugoslávia, Japão, Turquia, Espanha, México, Alemanha, Grécia, Noruega e outros países o personagem não alcança tanto êxito.

GIOVANNI LUIGI BONELI  O criador de Tex faleceu em 12 de janeiro de 2001, aos 92 anos, depois de longa enfermidade, quando já não mais reconhecia as pessoas. Nascera em Milão, no dia 22 de dezembro de 1908. Começou escrevendo novelas para jovens, antes de entrar para o mundo editorial, nos anos 30. De escritor, passou para editor da revista popularL'Audace. Quando esta foi para a Mondadori, continuou na mesma função até comprá-la da grande editora italiana. Esteve ausente durante a 2ª Guerra Mundial e até 1947. Ao voltar para a editoria, no ano seguinte, criaria seu grande personagem, Tex, o maior e mais duradouro sucesso dos quadrinhos de faroeste.

AURELIO GALLEPPINI  Nasceu em Grosseto no dia 27 de agosto de 1917. Em 1936, publicou seu primeiro desenho. Em 1940 vai para Firenze, colaborando na Casa Nerbini. Em 1947, começa a trabalhar para Tea Bonelli, em Milão. Galep desenhou sozinho Tex durante anos, até que a editora exigiu uma produção impossível de ser cumprida só por ele e aí entraram também outros desenhistas. São suas as capas de todas as edições, até o número 400, publicado no ano de 1994. Morre no dia 14 de março desse mesmo ano, em Gênova.

Créditos: Álvaro de Moya é jornalista, escritor e professor, especializado em quadrinhos. Esta matéria foi publicada na Revista Abigraf, de mar/abr 2001.

Fonte: http://texbr.com/artigos/tex_heroi_faroeste.htm

 

Não saia sem comentar no site

Pages