De frente com Tex: José Carlos Francisco, o Zeca, do Tex Willer Blogue

 


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Preâmbulo: Imagine se você, fã de Tex Willer, pudesse ficar cara a cara com o grande ídolo. Melhor ainda, seria se o ranger mais famoso do mundo se interessasse pela sua vida e passasse a fazer inúmeras perguntas a você. Imaginamos essa contato surreal e queremos ver como você aguentaria a emoção. Divirta-se e responda com paixão.

[caption id="attachment_2276" align="aligncenter" width="521"]OLYMPUS DIGITAL CAMERA José Carlos Francisco carinhosamente conhecido como Zeca[/caption]

TEX WILLER: Olá, pard. Sou Tex Willer, vamos nos conhecer melhor? Fale um pouco de você, como é sua vida social, familiar e cultural.

ZECA: Chamo-me José Carlos Pereira Francisco, também conhecido por Zeca e nasci a 13 de Dezembro de 1967, em Lourenço Marques, ex-Maputo, capital de Moçambique, África, tendo vindo para Portugal, com os meus pais, em 1977. Sou casado, pai de duas filhas e profissionalmente sou director de produção numa indústria de mobiliário metálico, sendo também no campo editorial o representante da Mythos Editora em Portugal.

 

TEX WILLER: Que legal, com que idade começou a ler as minhas aventuras?         

ZECA: Com pouco mais de 12 anos, uma vez que a minha paixão por Tex nasceu já em Portugal, mais precisamente em 1980 e foi quando numas limpezas do sótão da habitação principal onde eu fui residir com os meus avós, descobri uma caixa com muitas revistas de histórias aos quadradinhos e entre elas somente um exemplar de Tex, mas era uma edição especial que me conquistou de imediato. Tratava-se de “Pacto de Sangue“, uma aventura onde acontece o casamento do Ranger e fiquei de tal forma impressionado que mesmo depois de 35 anos aqui estou eu a falar desta paixão.

 

TEX WILLER: E dessas aventuras, qual a que você mais gostou?    

ZECA: Não é fácil eleger a melhor história de Tex, pois são muitas as aventuras que me deixaram uma recordação inolvidável, mas as mais marcantes talvez tenham sido “El Muerto”, “O Passado de Kit Carson”, “Oklahoma”, “Flechas Pretas Assassinas” e mais recentemente “Patagónia”, uma autêntica obra-prima da 9ª Arte que foi inclusive publicada este ano em Portugal, não podendo esquecer “O Vale do Terror“, sobretudo pelo brilhantismo gráfico alcançado por Magnus.

 

TEX WILLER: Realmente, todas são muito boa. Ok, ranger. Existem diversos personagens de quadrinhos, com os mais variados estilos o que mais lhe atraiu exatamente nas minhas histórias?   

ZECA: Foi sobretudo por Tex encarnar valores universais como, por exemplo, o desejo de justiça graças à força da lei ou até mesmo fora dela, a consciência da igualdade entre os homens e a capacidade de julgá-los apenas com base no seu comportamento efectivo, características essas que eram revolucionárias para uma personagem na década de 40 do século passado mas que são actuais nos dias de hoje, assim como continuarão a ser no futuro. Uma fórmula que praticamente continua imutável já que apesar de terem mudado os autores que trabalham com Tex, se alguém aplicou modificações ou inseriu novas temáticas, fez isso com o mais rigoroso respeito pela personagem, mantendo-se fiel aos princípios de G. L. Bonelli. No fundo Tex é o homem que todos gostaríamos de ser e quem lê Tex não consegue ficar indiferente ao Ranger, porque de certo modo ele é real, já que nos podemos rever nos seus princípios, nos seus actos e na sua coragem, sempre em prol da justiça. Mas para além de tudo isso há que destacar a excelência da produção. Tex é uma série excepcional pelos seus longos enredos, muitos deles permeados de factos e personagens históricas e que sempre teve magníficos desenhadores.

 

TEX WILLER: Já vi que você está superando o “camelo velho”. Mas me diga, você coleciona? Quantas revistas há na sua coleção?                     

ZECA: Colecciono tudo que diga respeito a Tex e somando as duas principais colecções completas das Tex brasileira e italiana e álbuns em 22 outras línguas, tenho mais de 1500 revistas do Ranger. Há ainda a acrescentar mais de 1000 livros e revistas de várias outras colecções e novas séries de Tex que têm surgido nos últimos anos, tanto italianas como brasileiras e ainda um festival de edições especiais e extras com destaque para as coloridas, de vários tipos, formatos e países, totalizando no presente um valor a rondar as 3000 edições, mas o meu maior tesouro são os mais de 80 desenhos originais de Tex que possuo, sobretudo por serem peças únicas e realizadas propositadamente para mim não somente por muitos desenhadores de Tex, mas também por muitos dos grandes desenhadores da editora Bonelli que eu conheço pessoalmente, mas sobretudo devido às entrevistas com os mais renomados autores no blogue português do Tex, o que originou que hoje em dia a minha casa se tornasse uma verdadeira galeria texiana com os desenhos expostos nas paredes, mas para além de desenhos de autores bonellianos também possuo o Ranger desenhado por muitos outros desenhadores consagrados a nível mundial como sejam Adauto Silva, Hermann Huppen e David Lloyd somente para dar três exemplos.

 

TEX WILLER: Qual o autor e desenhista da sua preferência?

ZECA: Todos os quatro grandes argumentistas de Tex têm o seu lugar na saga e cada um deles marcou-me de modo muito especial e é difícil eleger um somente. G. L. Bonelli, por ter criado e ter dado a alma ao Ranger e por ter descoberto a fórmula certa com histórias cheias de acção, Guido Nolitta por ter escrito histórias épicas com um Tex mais humano, Nizzi por ter continuado a obra não desvirtuando Tex e continuando a mostrar-nos um Tex genuíno, duro, incisivo e sempre justo e Boselli que trouxe à série ideias renovadoras, dando uma maior espessura e densidade psicológica às personagens, portanto, todos eles merecem ser considerados, num patamar semelhante, os meus escritores predilectos. Já no quesito desenhadores, Fabio Civitelli e Claudio Villa, ambos com um estilo cristalino, caracterizado por grandes cuidado nos mínimos detalhes e por um hábil uso do preto e branco e do extremo asseio dos traços elegantes e harmoniosos, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo modernos e cativantes, são para mim o expoente máximo, sem desprimor para artistas de tão grande calibre como por exemplo Giovanni Ticci nos seus tempos áureos.

 

TEX WILLER: Em sua opinião, há mais jovens ou adultos que lêem as minhas aventuras? E por quê?

ZECA: Hoje em dia a larga maioria dos leitores de Tex é um público adulto, porque os jovens estão mais habituados a “outras tecnologias”, mas Tex continua a cativar adolescentes e inclusive de ambos os sexos, como se comprova pelas inúmeras entrevistas publicadas nos últimos anos no blogue do Tex, onde vemos muitos jovens coleccionadores e várias leitoras. Jovens que também estão presentes nos eventos relacionados a Tex, seja em Portugal seja no Brasil onde tive a felicidade de ver muitos jovens nas filas de autógrafos quando acompanhei a São Paulo tanto Fabio Civitelli em 2010 como Pasquale Del Vecchio em 2014 e o advento da chegada das cores ao mundo do Tex também serviu para conquistar as gerações mais novas, até porque quem deixar o preconceito de lado e for ler uma aventura de Tex não fica indiferente ao Ranger.

 

TEX WILLER: E a respeito de meus outros parceiros, o que você acha? De quem você gosta mais e quem você gosta menos?                             

ZECA: Não há nenhum que eu goste menos mas tenho uma predilecção especial por Jack Tigre, que apesar de ser o pard mais sério de Tex, é um índio que fala pouco, mas age muito (para além de ser muito inteligente) e nas histórias de Tex priorizo sobretudo a acção.

 

TEX WILLER: Fiquei satisfeito em saber que existe um fã clube no Brasil. Fale-me a respeito deste quartel de rangers.                                          

ZECA: Foi uma excelente iniciativa levada a cabo pelos leitores brasileiros de Tex liderados por Jessé Machado dos Reis, popularmente conhecido por Jessé Bico de Pena, que entusiasmados pelo espírito de união, de fraternidade e, sobretudo, de verdadeira paixão por Tex se uniu e hoje o Fã Clube Tex Brasil é uma realidade de facto, tendo o reconhecimento da Mythos Editora e da Sergio Bonelli Editore.

 

TEX WILLER: Você é associado? Gostaria de ser? se não for me diga o motivo      

ZECA: Tenho a honra não somente de ser sócio do Fã-Clube Tex Brasil, mas de inclusive ser um sócio especial, estatuto que me foi atribuído aquando da minha presença no evento Comic Com 2014 onde tive o prazer de receber das mãos do presidente Jessé o cartão de sócio especial assim como a famosa estrela de Ranger.

 

TEX WILLER: Segundo sua visão referente ao Clube Tex Brasil responda: quais são seus pontos fortes. E quais são seus pontos fracos?          

ZECA: O ponto forte quanto a mim é a assinalável capacidade de organizar eventos num país continental e conseguir atrair a presença de vários sócios, apesar da imensa dificuldade a vários níveis. Quanto ao ponto fraco eu acho que é a dispersão de informação acerca do Fã-Clube, pois acho que seria mais útil concentrar todo o tipo de informações num único espaço onde todos os sócios (e eventuais interessados) poderiam ficar a par das informações do clube fidelizando a “presença” dos interessados.

 

TEX WILLER: Sei que o Brasil é muito grande, como vocês fazem para se reunir? Você tem costume de viajar para se encontrar com os pards? Já foi a algum encontro?   

ZECA: O Brasil é um país continental e não é fácil um sócio participar em todos os eventos do Clube, mas quando há muita determinação e força de vontade consegue-se o "milagre" de estar presente se tudo for planeado a tempo e horas, até porque normalmente a organização dos eventos está disponível para ajudar os sócios em tudo que for possível, inclusive no alojamento. Eu mesmo habitando em Portugal quando posso vou ao Brasil participar de eventos texianos (e já participei em 4 ocasiões) e foi na Comic Com do ano passado que tive o prazer de conhecer a direcção do fã-clube e receber o meu cartão de associado e no futuro se tiver oportunidade, o que nem sempre é fácil para quem vive noutro continente, estarei presente.

 

TEX WILLER: Soube que houve o II Encontro Nacional o Sampa Fumetti con, você foi? E qual foi sua avaliação do evento?                             

ZECA: Não pude participar, mas soube sim, obviamente, pois a divulgação foi imensa e bem feita e mesmo após o evento as repercussões foram óptimas, inclusive na própria revista mensal do Ranger, apesar de no meu ponto de vista ser mais vantajoso organizar um evento exclusivamente texiano como se faz em Portugal onde nos eventos do clube português, apesar de solicitações, Tex é a única estrela presente, Tex e o seu mundo, Tex e os seus autores, mas compreendo que numa primeira fase para atrair mais público brasileiro e chamar a atenção da imprensa se possa recorrer à presença de autores e exposições que nada têm a ver com o nosso Ranger, mas creio que assim que for possível o clube brasileiro deva organizar eventos exclusivamente texianos ou caso desejem alargar um pouco mais, no máximo contem com a presença de outras personagens bonellianas.

 

TEX WILLER: De acordo com sua experiência no mundo dos quadrinhos e reconhecendo a minha inexperiência na área de divulgação (afinal meu negócio e pegar bandidos) peço sua sugestão para estratégias de curto, médio e longo prazo para o clube Tex Brasil.

ZECA: Uma estratégia que traria seguramente grandes frutos para o clube, projectando-o totalmente, seria contar com a presença de um autor de Tex num futuro evento, um facto que impulsionaria definitivamente o fã-clube brasileiro e traria seguramente uma grande adesão de texianos. Sei que não é fácil convencer os autores europeus a ir ao Brasil, sobretudo porque sendo eles autores que ganham à página, fazer uma viagem ao Brasil implica no mínimo estar uma semana sem desenhar e há autores que cobram um cachet para esse tempo sem trabalhar, mas mesmo sabendo que os brasileiros não gostam muito de argentinos, creio que o facto de ter dois desenhadores como o Miguel Angel Repetto e o Ernesto Garcia Seijas devessem ser bem aproveitados pela direcção do clube, pois seguramente esses autores ficariam baratos nas despesas de avião e estariam presentes num fim de semana não cobrando certamente honorários. Fica aqui a sugestão que projectaria o clube para um patamar internacional despertando inclusive o interesse dos leitores e imprensa italiana.

 

TEX WILLER: Você acha que nós, os rangers (gênero faroeste), ainda teremos espaço nos próximos anos?

ZECA: Claro, não tenho a menor dúvida e prova disso é que todos nós morreremos e Tex continuará bem vivo por muitas décadas!

 

TEX WILLER: Para concluir, gostaria que você deixasse uma frase que te marcou na vida  

ZECA: É uma frase da minha autoria: Tex e Benfica, as paixões de uma vida!

 

 



 

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