Lançamento oficial de Dylan Dog acontece no IV Encontro Regional do CTZB

Nos dias 29 e 30 de abril deste ano, Uruguaiana, município do Rio Grande do Sul, recebeu o IV Encontro Regional Sul do CTZB, que contou com a presença do grande Adriano Lorentz, da Editora Lorentz, que atualmente detém os direitos para publicação exclusiva de três histórias de nosso amado investigador, Dylan Dog!



[caption id="attachment_3702" align="aligncenter" width="576"] Em destaque, Adriano Lorentz[/caption]

Depois de 11 anos fora do mercado brasileiro, Dylan volta em grande estilo em três edições especiais. A última vez que fora publicado, foi justamente em uma série mensal pela Editora Mythos (outra grande responsável por manter Tex vivo e forte em nosso país), que acabou durando 40 números, para desespero dos fãs.


Na época da primeira notícia sobre a volta de Dylan (que causou um grande murmurinho entre a comunidade leitora de HQs em geral), Adriano expressou seu sentimento sobre a publicação:


“A nossa intenção era lançar uma edição especial de terror em 2016. Devido a atrasos, pensamos em algum material estrangeiro de boa qualidade que se encaixaria nessa proposta.”


“Pensava que alguma editora grande publicaria o personagem, por conta da data, mas os meses foram passando e nada acontecia. Então, começamos a negociar os direitos. Um ponto decisivo para a escolha foi sermos fãs do personagem, e gostaríamos de dar esse presente a Dylan e aos outros fãs”, relembrou.


A história de Dylan no Brasil é um pouco traiçoeira em termos comerciais. De acordo com o pessoal da Universo HQ, em 2002, o personagem parecia que, finalmente, consolidaria um merecido sucesso no Brasil, ao retornar às bancas pelas mãos da Editora Mythos. Mas mesmo com duas premiações consecutivas no Troféu HQ Mix, como melhor publicação de terror de 2004 e 2005, além da marca recorde de 40 edições brasileiras, não foi o bastante para manter o título em terras tupiniquins, resultando no cancelamento de suas publicações.


Inexplicável? Talvez. Embora seja unânime entre os leitores e aficionados pelo investigador (e até mesmo reconhecido por leitores casuais que não sigam a franquia), a inteligência de sua trama e inventividade de sua história, tais elementos não foram suficientes para segurar sua continuidade nas bancas. 


E o motivo talvez vá um pouco mais além do que "qualidade" de publicação ou de "distribuição". Sabemos que hoje, muitos colecionadores (assim como inúmeros gamers), não se contentam com uma boa história em modelo tradicional: se não for uma publicação em um papel de qualidade com gráfica impecável, muitos ignoram a história e passam ser grandes e intensos críticos da franquia por causa da publicação levada a banca. 


Mas o que estes leitores se esquecem é que a publicação, a compra de direitos para trazer a história (direitos autorias), a confecção e a distribuição envolvem altos custos que aqui no Brasil, não são aliviados, mesmo se tratando de publicações literárias. As Editoras, antes de mera "editoras", são empresas e atuam no mercado financeiro como qualquer outra, suportando custos, tentando repassar o mínimo de reajuste, e ainda buscando alternativas para manter os títulos sob guarda em banca. Então, nem sempre a infelicidade do encerramento de um título se deve pela desistência da Editora, mas pela falta de comprometimento e de compreensão do público que a consome. Claro, que aliado a isso vem os números: se não há público mínimo é inviável manter a publicação, até porque mesmo baixando os gastos, é impossível continuar sua série, até porque só o gasto com direitos autorais consumirá muito do arrecadado, sobrando pouco lucro ou nada para Editora. 


Logo a questão da volta de tais publicações envolve mais do que só dinheiro, mais do que só vontade: É PRECISO que os leitores APOIEM a volta das séries. Divulguem, comprem, fomentem, mandem carta, e-mail, liguem. É de suma importância para editora que haja lastro de leitores para manter suas distribuições. Se você é fã, compre; faça propaganda. Se não gostou da qualidade, avise a editora, mas não a DEPRECIE. Lembre que se não fosse por ela você sequer leria um título de seu personagem agora. 


Críticas são sempre bem vindas. Mas cabe ao público tece-las de forma a incentivar e  contribuir. É triste ver muitos reclamando e prejulgando uma Editora que se esforça para manter uma publicação.... Ou que conseguiu, a duras penas, trazer de volta e os leitores só massacram nas opiniões. No caso da Editora Lorenz, há um IMENSO esforço para trazer o máximo de qualidade ao leitor, que conseguiu ainda colocar em mercado por um preço MUITO AMIGO. E a publicação é simplesmente incrível: formato italiano em acabamento impecável em verniz de capa a capa (plastificada) e miolo com papel branco de excelente qualidade. Sem falar na qualidade da prensa das páginas (sim, eu também prezo por uma revistinha bem acabada). A lisura gráfica de impressão é incrível, e até mesmo se tem a impressão de ler um pequeno livro e não uma HQ.


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E COMO FOI O LANÇAMENTO?!


Ora, ora, agora chegamos no ponto maior de nossa matéria! O lançamento oficial de Dylan foi incrível, e contou até mesmo com a presença dele, SIM JOVENS, o próprio Dylan! 



[caption id="attachment_3859" align="aligncenter" width="768"] Adriano Lorentz, como ele mesmo e Dylan Dog, interpretado por Marcelo Rosa Tajes.[/caption]

Mas não parou por ai: Adriano ainda fez questão de presentear o Clube com uma edição para marcar nossa grande parceria:



[caption id="attachment_3850" align="aligncenter" width="940"] Da esquerda para direita: Nadir Dutra, Jesus Teixeira, Adriano Lorentz, Joana Rosa Russo e Marcelo Rosa Tajes.[/caption]

ENTREVISTA COM ADRIANO LORENTZ


O cara responsável por trazer Dylan ao Brasil


Além de um grande amigo, Adriano é uma pessoa acessível e preza muito pelo contato e pela colaboração de todos os fãs de Dylan e Bonelli. Por isso, quando fiz o pedido para uma entrevista exclusiva sobre o lançamento de nosso querido investigador, ele não pensou duas vezes :)


Joana Russo -  Bem, Adriano, como foi a experiência de lançar um título tão renomado, embora pouco conhecido no Brasil, como Dylan Dog? O que te motivou a trazer isso para o mercado brasileiro?


Adriano Lorenz - Primeiro faz cerca de 10 anos que Dylan Dog não era publicado no Brasil. Nenhuma grande, média ou pequena editora se interessou. E Dylan completou 30 anos de criação ano passado, em 2016. Sempre quis lançar alguma coisa... Uma revista especial de algum personagem europeu, talvez. Mas confesso que Dylan Dog, Bonelli, nunca achei que fosse conseguir, até por causa do histórico de quem lançou Bonelli no Brasil: Vecchi, RGE, Globo, Record, Ediouro, Mythos , Conrad... Ora, impérios em suas épocas ou médias/grandes... Mas criei coragem e então convenci minha mãe a criar a editora para realizar as partes burocráticas. Eu, nas horas de folga, faço a divulgação. Pela primeira vez no Brasil uma editora foi criada para publicar especificamente um personagem Bonelli.


 

JR -  Quando você pensou no formato na revista... Como foi a escolha? A decisão do uso do papel de melhor qualidade e no tamanho tiveram influência das originais Italianas? Você Acha que isso passa por uma boa impressão ao leitor?


AL- Sempre troquei ideias com o pessoal do forum texbr. Então o formato, miolo e tudo mais, fui forjando junto com a galera. Primeiro penso como leitor, como eu quero a revista. Ajudou porque o pessoal do fórum é leitor também, e então pude constatar que os participantes também esperavam o mesmo que eu das publicações. No fundo, é simples uma edição em formato italiano a preço médio de R$16 reais com miolo em papel branco.


 


JR - Quantas publicações foram adquiridas pela Lorentz? Há intenção de continua-las?


AL - Adquirimos 3 edições de Dylan Dog, e claro se continuarmos sempre tendo apoio, e as vendas cobrirem as despesas, vamos tentar continuar.


 


JR - Bem, como vimos você é fã de Bonelli! Na sua opinião, o que Dylan tem que outras HQs de gênero de terror não tem?


AL -  O material norte americano atual no gênero terror é muito fraco... Não é atoa que Dylan recebe diversos prêmios.


 


JR - Qual sua expectativa para estes lançamentos? Há espaço para Dylan Dog no Brasil?


AL - Sou sempre otimista, mesmo sabendo de toda a dificuldade do mercado de HQs. Mas há espaço para Dylan sim, só precisamos de tempo para chamar aqueles antigos leitores de volta.


 


JR - Como está sendo realizada a distribuição de Dylan? Há previsão de distribuição nacional? Alias, desde já, há como comprar direto com vocês?


AL - Temos um acordo com a distribuidora. Para Dylan continuar temos de atingir um minimo de vendas nas bancas, até por conta da tiragem reduzida. Mas pedimos para a distribuidora para que envie para as  maiores bancas das capitais e maiores cidades de cada estado, visando uma melhor aderência. Dito isso, quem mora em cidades menores, que não passem de 60 mil habitantes, pode adquirir diretamente conosco, com frete reduzido, que varia de R$2,00 a R$3,50. Mas para quem mora nas grandes capitais e regiões metropolitanas, peço para que aguardem um pouco e busquem diretamente na banca de sua cidade. Isso vai fortalecer nossa permeabilidade. Mas se mesmo assim as edições estiverem esgotadas, entrem em contato conosco!



JR - E como foi a experiência de estar no IV Encontro Regional do Clube, lançando oficialmente a primeira (de muitas), revistas de nosso Investigador?








AL - Olha, confesso que sou muito tímido! Demoro a me soltar e fazer contato. Mas o pessoal foi muito bacana e acabei me sentindo em casa, afinal, tínhamos alguns personagens em comum. Eu coleciono tudo da Bonelli: a maioria, com exceção das coleções de Tex, estão completas ou 70% completas, pelo menos. Eu sempre falo das alegrias que este DD me deu e com certeza, uma delas, foi conhecer muita gente lá, que considero novos amigos. Espero participar do próximo. E até mesmo muita gente me perguntava de outros personagens! Sobre isso, posso dizer que tem o Martin Mystère, que espero que meu novo amigo de Santa Catarina, que passei o contato da Panini-Bonelli, possa fazer o mesmo que eu e trazer de volta o detetive do impossível.

 







 

JR - Na sua opinião, o que falta para que outros títulos descontinuados no Brasil voltem à vida?











AL - Difícil responder. Estamos começando agora, mas espero poder manter Dylan Dog, porque fizemos uma bela edição. Tanto que quem viu disse que é a mais bela e caprichada edição de Dylan no Brasil. Mas sempre respondia que não somos empresários e sim leitores, o que ajudou em buscar um produto final como o oferecido. Resultou nossa pesquisa em algo simples: uma revista formato italiano de capa plastificada e miolo em papel branco com preço de R$16,00. Para mim é uma revista que eu gostaria de comprar, que acho a ideal, tanto em formato quanto em preço.

 

 

JR - Adriano, o Fã Clube Clube Tex e Zagor Brasil desejam toda melhor sorte nesta nova empreitada e principalmente que nosso investigador NÃO volte a sumir destas terras tupiniquins! E por isso mesmo, você, nosso leitor, trate já que adquirir a mais nova coleção de Dylan Dog!

 

AL - Agradeço ao fã clube! Os personagens Bonelli são todos parte de uma família. Li Zagor, "o retorno do vampiro", da globo em 1988, com 10 anos, e, no mesmo ano, Ken Parker. Logo fui correndo atrás de outros. A Bonelli tem material ótimo: DD de terror, Nathan Never de ficção científica, Julia- eu considero suspense/policial (e não aventuras de uma criminóloga...), e é ótima no gênero, faroeste. Ken Parker, e muitos outros, desde os mais tradicionais, como Tex, Histórias do Oeste, e mais variados como Zagor e Mágico Vento. E não esquecendo uma maravilhosa revista de aventura: Martin Mystère. É difícil falar de tudo...são tantos e tão bons personagens! Bem, encerro agradecendo a vocês pelo espaço e ajuda!










 

 


 A OPINIÃO DE JOSÉ VICTOR ELIAS

 

 O leitor apaixonado por Dylan Dog

 

 


INVERARY: FRONTEIRA DA VIDA

 


Abril de 2017 ficará marcado como o fim de um pesadelo e início de um sonho que esperamos que seja duradouro.


Depois de um hiato de 11 anos a Editora Lorentz nos brinda com a volta de um personagem super querido aos aficionados pelo gênero terror: Dylan Dog está de volta às bancas brasileiras.


Relembrando a ótima fase da revista que foi publicada pela Editora Record e circulou entre outubro de 1991 e agosto de 1992 com formato italiano e capa cartonada, é aclamada entre os fãs como a melhor produção da revista aqui no Brasil. É certo que apesar da boa vontade das editoras que a sucederam, a produção de Dylan Dog ficou sempre um pouco aquém do que os colecionadores esperavam. Porém com a Lorentz, foi totalmente diferente! Dylan Dog finalmente encontrou sua casa mal-assombrada para habitar. A editora simplesmente foi magnífica em sua apresentação da revista. O que dizer de uma publicação que tem a capa cartonada e plastificada, formato original italiano, páginas em papel especial, ótima tradução e respeitando toda a tradição da personagem? Não esqueceram nem da lombada preta que caracteriza a coleção em nossa estante! Tudo isso por um preço atraente a todos os leitores ávidos por uma publicação de peso no quesito horror.


A história escolhida também não poderia ser melhor: Retorno ao Crepúsculo! Para os leitores novos, é uma história arrepiante que deixa com vontade de conhecer mais ainda sobre o Investigador do Pesadelo! Para nós leitores antigos, é um momento de pura nostalgia e curiosidade para descobrir como será o retorno de Dylan à Inverary. Uma cidade suspensa entre o tudo e o nada, perdida entre as sombras de um entardecer frio  cujos últimos raios de um  sol avermelhado não quer ceder o lugar à noite, porém as trevas densas já comandam o lugar. Um lugar maldito, onde a morte e a vida andam de mãos dadas tendo o horror da putrefação orgânica como fiel companheiro.


O que você faria para viver para sempre? Aceitaria que sua alma fosse prisioneira eterna de um corpo que anseia pelo repouso final e teima em se desintegrar? Uma cidade inteira aceitou fazer um pacto com a ciência e a alquimia. Seus destinos estão nas mãos de um pobre médico que brinca de ser Deus, e não consegue manter o controle do que seus atos produziram. Em suma, sejam bem vindos ao lugar onde a morte não é o final de tudo!


Tiziano Sclavi é o idealizador da Revista Dylan Dog. Sua imaginação não tem limites! Consegue criar em  suas histórias um ambiente claustrofóbico onde podemos respirar uma atmosfera de medo e tensão, recheada de incertezas, pavor e uma angústia palpável. Sentimos a tristeza de cada personagem. Talvez porque nos identificamos com eles. Lutamos contra nossos monstros todos os dias, e sabemos o quanto é difícil lidar com determinadas situações. As histórias de Dylan retratam estas frustrações como nenhuma outra revista as retratou antes! Imagine você se apaixonando por alguém e este alguém morrendo em sua frente de forma trágica, com muito sangue e vísceras e fraturas expostas! Isto é uma constante na vida de nosso investigador. Estaria Sclavi mostrando o medo de amar? Seus contos são recheados de um amor impossível que nunca chega a se concretizar.


Cada sonho, cada esperança são esmagados por um destino cruel, tal qual uma flor é pisoteada e os restos de suas pétalas ficam grudadas na sola suja de um sapato qualquer.


Este é o horror da vida real o qual recusamos a vislumbrar, mas Tiziano Sclavi faz questão de colocar em nossa frente para que possamos fitá-lo com o mesmo pavor que Edgar Allan Poe encarava o cadáver ressequido de Berenice.


Dylan Dog não é um herói com poderes mágicos, é um ser humano como qualquer outro. Ele sente medo, raiva, amor (com frequência), tristeza (com frequência). Como não gostar de um herói assim?


Para todos que estão chegando agora, sejam bem vindo a Inverary. Apaguem as luzes, peguem na mão de Dylan e sejam conduzidos sem medo do que está por vir. Para aqueles que estão acostumados a



[caption id="attachment_3861" align="alignright" width="111"] José Victor Elias [/caption]

caminhar nos tétricos caminhos do bizarro, desejo um bom retorno ao crepúsculo.


 


Bons pesadelos.


José Victor



  







A OPINIÃO DE QUEM NUNCA HAVIA LIDO DYLAN: PALAVRA DA REDATORA

 

Uma pessoa que já ouviu falar de DD, mas que nunca tinha lido uma só linha do investigador mais conhecido do mundo. 







 

Já há algum tempo alguns de meus amigos já me recomendaram a leitura de Dylan Dog. Mas confesso que, pela temática, recusei a adquirir um exemplar. Sim, sou medrosa e passo muito tempo sugestionada com as coisas (sim, eu tenho medo do escuro!). 

 

Mas desde que vi que o dito personagem voltaria a vida e pelas mãos de um amigo, eu decidi por o medo na caixinha e enfrentar o tabu: comprei o exemplar sem pensar duas vezes (até porque se eu voltasse a pensar talvez recuaria). Adriano me recebeu de braços abertos e quis me mostrar o quanto Dylan é enriquecedor. Contou-me da densidade da história, que nem sempre as pessoas gostavam dela porque a trama é difícil, mas de uma qualidade inegável. Até me alertou que talvez eu pudesse "torcer o nariz" por causa do gênero que eu gosto (faroeste), e poderia ser um pequeno choque de leitura.

 

Bem... Os conselhos foram dados, a coragem foi tomada e então, naquela noite e início de madrugada, do dia 03 de maio de 2017, eu comecei a leitura oficial da HQ (ok, é um pouco estranho a pessoa relatar que tem medo de escuro e que leu uma história de terror neste ambiente... Não queira entender, mas já que estava disposta, vamos fazer direito!).

 

Mas antes de falar do conteúdo, necessário apontar a qualidade externa da publicação. O formato italiano é confortável de ler e não exige muito esforço dos olhos, o que proporciona uma leitura gostosa. O clássico preto e branco vem super destacados num excelente papel branco de boa qualidade. A capa é em verniz, como já alertei também de antemão. O acabamento é incrível, e não se pode dizer que é revistinha frágil. Sem dúvida, vale cada centavo do preço: R$16,00.

 

Logo nas primeiras páginas preciso dizer que Dylan não poupa o leitor de um breve contato com figuras estranhas e que causam um certo impacto: não há cerimônia em ilustrar peles caídas dos corpos mesmo que, a priori, seja mais contido. O alerta de meu amigo era certo: o que eu estava para ler das primeiras cinquenta páginas iriam me fazer entender o amor que ele nutria pela franquia e me mostraria as razões dele ter trazido o personagem para o Brasil mesmo com todas as dificuldades: a zona de conforto que para nós é algo natural, se torna horrenda e te faz entender os motivos pelos quais nunca podemos deixar que ela (a zona do conforto) nos sugue para seu vórtex. 

 

Não preciso dizer o quanto fiquei perturbada com a história. Passei algumas horas remoendo depois que finalizei a revista, estando determinada a ler novamente. Dito e feito: agora de manhã, comecei novamente a história, que deu-me outro panorama de interpretação. Uma vez lido e entendida a mensagem subliminar, você se auto questiona se sua vida deve continuar como na HQ. O amor que vem, a vida que vai. A morte que chega, as intrigas que transcendem... Tudo fica num liame muito fino que pode e DEVE ser rompido. Seja pela felicidade, pelo amor ou pela dor. A razão não importa: o que importa é nunca deixarmos que a vida nos consuma de passagem, tão automaticamente, esperando pela morte depois de repetir tudo que os outros, em sua maioria, repetem como mantra há séculos.

 

Não... Dylan está longe de ser o exemplo perfeito para alguém. Mas como todo personagem Bonelli, e aqui também coloco Tex, Dylan é corajoso. É leal a seus propósitos. É justo. É sagaz. É fiel a seus amigos e tem uma inteligencia fora de série. Tex também é assim (embora para mim seja mais do que só um homem a frente de seu tempo com dotes admiráveis). Cada qual em sua época ambientada. 

 

Dylan não é gibi para qualquer um. Talvez nem seja para esta redatora. Mas uma coisa é certa: vou ler novamente esta história... esta e outras. Dylan, para mim é como o "Pequeno Príncipe": a cada fase da vida, uma nova interpretação é dada, porque a leitura, diferente do que já vimos em outros do gênero imersivo, é moldada a cada idade, fazendo que a percepção da vida pelo leitor troque de faceta, ajudando a si mesmo a vencer seus paradigmas. 

 

 

 

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